O que é psicodrama?

13/02/2015 11:03

O que é Psicodrama?

            É muito comum ouvirmos que psicodrama é uma técnica. Sabemos que muitos profissionais com formação em outras abordagem a utilizam realmente desta forma. Porém, este é um grande equívoco. Psicodrama é muito mais que uma técnica, existem várias técnicas dentro do método psicodramático.

            O termo psicodrama é a junção de duas palavras de origem grega: psyche que significa alma e drama que é ação. Nasceu em 1921 do Teatro de Improviso e, historicamente, representou o ponto decisivo na passagem do tratamento individual com métodos verbais para o grupal com métodos de ação (MORENO, 1993). Atualmente também muito utilizado em trabalhos individuais.

O psicodrama é definido como a ciência que explora a “verdade” por métodos dramáticos, lidando com relações interpessoais e com mundos privados. Para o criador, este método leva o indivíduo e/ou o grupo a catarse mental, uma vez que a dramatização é iniciada pelo drama atual, mas o procedimento é invertido, sendo a atenção dirigida para a fase inicial do drama (MORENO, 1970, 2008).

            Segundo Marineau (1992), Moreno elaborou as técnicas do teatro de improviso e, posteriormente, o método do psicodrama para superar a ideia de que numa sociedade moderna seria muito difícil atingir uma vida completamente espontânea e criativa. Acredita que o psicodrama, como um método de ação, favoreça o autoconhecimento, propiciando o resgate da espontaneidade e criatividade.

            Moreno (2008) acredita que o psicodrama proporciona ao indivíduo, experiência nova e mais ampla da realidade, da realidade suplementar[1].

            Uma das modalidades do psicodrama, que o Núcleo FormAge também oferece, é o psicodrama público ou ato terapêutico. O que é isso? É uma sessão de psicoterapia em grupo que acontece num único encontro e é aberta a quem deseja participar.

            Segundo Goffi Jr (2000) psicodrama público ou ato terapêutico é uma intervenção que tem como objetivo investigar e trabalhar o conflito do indivíduo em uma única sessão.

            O autor acredita que o ato terapêutico teve sua origem no Beachon Hill Sanatorium, local onde funcionava uma comunidade terapêutica, na qual as pessoas eram convidadas, por J.L. Moreno, a trazer suas ideias com a intenção de explorá-las no “como se”. Acredita-se que neste teatro o psicodrama começou a ganhar vida própria.

            No Brasil, as sessões abertas ou ato terapêutico, como também são chamados os psicodramas públicos, foram introduzidos, segundo Goffi Jr. (2000) por José Fonseca em 1984 no Daimon.

            Para Fonseca (2000) o psicodrama público é a forma mais acabada de psicodrama que Moreno deixou, uma vez que não deixou nada sobre psicoterapia individual e pouco sobre psicoterapia de grupo.

            O mesmo autor acredita que esta modalidade permite a plena apreensão dos valores socioculturais, transformando o psicodrama-sociodrama público em instrumento de grande poder para o tratamento das síndromes culturais de uma sociedade (FONSECA, 2000).

Odaice Formagge - Psicóloga/Psicodramatista

 

REFERÊNCIAS:

FONSECA, J. Psicoterapia da relação: elementos de psicodrama contemporâneo 2ª. ed. São Paulo: Ágora, 2000.

GOFFI JR, F. S. Sessões abertas de psicoterapia: os benefícios do ponto de vista do público. In: FONSECA FILHO, J. S. Psicodrama da loucura: correlação entre Buber e Moreno. São Paulo: Ágora, 1980.

MONTEIRO, R. M. (Org.) Técnicas fundamentais do psicodrama. São Paulo: Brasiliense, 1993.



[1] Papéis imaginários, de seres fantásticos, mitológicos, inanimados, de sonhos, desejos, que são representados no contexto dramático, papéis de uma realidade chamada por Moreno de Realidade Suplementar (MONTEIRO, 1993)

 

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